sexta-feira, 20 de maio de 2011

Tecnologia da informação e segurança pública

Vasco Furtado - Fortaleza(CE) - 12/06/2007
Quando escrevi o livro Gestão e Tecnologia da Informação em Segurança Pública em 2002  tinha como um dos objetivos, o de alertar para o cuidado que se deve ter quando se realiza investimentos em Tecnologia da Informação (TI). Passados cinco anos, ao assistir as apresentações no Encontro Nacional do Fórum, conversar com muitos colegas de diferentes estados e mesmo com representantes da SENASP, sinto-me impelido a visitar novamente esse tema. Continuamos sem informações confiáveis para tomada de decisão e assim fica fácil perceber que continuamos aplicando mal os recursos ou tendo pouco retorno prático do que tem sido investido. Encontro muito frequentemente pessoas que me dizem que projetos de TI em suas organizações falharam porque um determinado software adquirido (normalmente em outra gestão!) não presta. O motivo menos provável de um fracasso de implantação de um software em uma Empresa é a qualificação deste software. Não estou dizendo que não existem softwares bons e os que são ruins. O problema é que ainda temos um fascínio pelas soluções tecnológicas que nos fazem pensar que ao adquiri-las teremos a solução para todos nossos problemas. Ledo engano. A implantação de qualquer tecnologia da informação em uma organização é um processo demorado, caro e que exige qualificação gerencial, capacitação de pessoal, continuidade e muita, mas muita persistência. No contexto das organizações policiais brasileiras esses problemas são potencializados por alguns fatores: falta de cultura em registrar eventos precisamente, pressa na realização de procedimentos porque as demandas são sempre maiores que a capacidade atendimento, pouca capacidade gerencial e, principalmente, pouca qualificação do profissional de Segurança nas tecnologias de TI. No outro lado, encontram-se empresas fornecedoras de tecnologia que muitas vezes também não tem a percepção destas dificuldades (ou preferem ignora-las). A conseqüência disso é a abundancia de projetos parados, fracassados ou em descontinuidade, o que significa desperdício de tempo e de dinheiro (além obviamente de pouca eficácia da ação policial). Propor soluções para isso em tão pouco espaço como neste texto é impossível (não é a toa que pude escrever um livro todo sobre o assunto!). No entanto, queria atentar para algumas questões. Qualquer projeto de compra e implantação de TI tem que vir acompanhando de um plano de implantação do sistema com métricas de sucesso bem definidas. Essas métricas devem exigir o comprometimento do fornecedor com o perfeito funcionamento do produto vendido, com a qualidade da informação que nele trafegará e com a qualificação do pessoal que o utilizará. Isto certamente minimiza o risco de fracassos, mas não isenta o gestor público de realizar um processo rigoroso de gestão além de realizar a tarefa de convencimento do público interno.                                                                
 Para mais informaçao acesse a página Fòrum Brasileiro de Segurança Pùblica. aqui

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